“mensagem enviada com sucesso”
Em moda o Twitter, sem dúvida algo gracioso que permite ‘comunicações’ em até 140 caracteres. Isso é o que eu li, nunca vi. Sempre no limite da dúvida, fico preso aos meus infinitos caracteres do word para tentar dizer algo. Twitter não, valeu e obrigado.
Olhando de outra maneira para o Twitter é fácil perceber que não é nenhuma novidade. Acho que a grande invenção da tecnologia digital nos aparelho celulares (ainda na época que a grande sensação deles era o jogo da ‘cobrinha’) são os famosos SMS, mensagens, também com limite de caracteres (bem menos que o Twitter…). Como a nossa vida mudou após a invenção de textos via telefone!
Eis aqui um exemplo: acabo de mandar uma mensagem que julgava, na minha santa ignorância, receber uma outra mensagem de resposta em minutos, segundos talvez. Mas nada! Completamente ignorada (será?) o meu estimado SMS, todo criativo no modo de escrever, brincado com palavras e metáforas, acaba por cair naquele celular tão querido e os olhos de quem deveria ler não deram comando para as mãos de quem deveria escrever… e pronto! Angústia estabelecida, falta de reciprocidade, solidão total. E ainda é tão de manhã…
Mas vá lá, temos recursos para disfarçar! A culpa pode ser da operadora, esse aglomerado de telemarketing também tão misterioso, pode ser que a moça esteja ocupada, pode ser que o celular tenha se perdido ou, ainda, esquecido entre o travesseiro e o edredom… mas nunca! Nunca! A mensagem não poderia ter sido ignorada, simplesmente!
É melhor ocupar a mente com outros pormenores. Passa-se então a fazer café, a beber o café, a escrever, a enviar recados pelo orkut, a buscar pelo MSN o bate papo perfeito e até a ler sobre o festival de Cannes e sua mostra paralela de diretores que você não faz a menor ideia sobre os seus filmes… tudo superficialmente, claro. A tentativa é despistar…
Acontece que o celular toca, não o som da mensagem mas de alguém ligando. E o identificador de chamadas, essa tecnologia tão indispensável hoje em dia e assassina de qualquer romantismo telefônico, avisa que é ela quem está tentando falar. Feliz, com o mundo ao redor fazendo sentido novamente, atendo com voz de ‘ué você ligando…?’ e escuto do outro lado: ‘recebi a tua mensagem, ia responder mas prefiro escutar a tua voz. Mesmo que pelo telefone’. Enfim, tudo resolvido. Ela é das antigas, gosta desse lance de voz ainda. Acabo rindo de lado, acho engraçado e sinto-me amado, finalmente.
Objetivo cumprido.




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